25 de out. de 2015

REVIEW | SAMURAI WARRIOR 4


Minha paixão pelos jogos 1 x 1 milhão, ou musou, começou há quase oito anos atrás, quando por recomendação de um amigo (e de um review na finada NGamer Brasil), adquiri Sengoku Basara 2 Heroes. Todo o visual oriental, a mecânica simples, lembrando a dos Beat'em Up's e os especiais totalmente mirabolantes, me deixaram maluco, tanto que foi um dos primeiros jogos que zerei quando comprei o Playstation 2 no fim daquele ano. Tempos depois, adquiri Devil Kings e mais uma tonelada de jogos do gênero pra PS2 (Dynasty Warriors Gundam 2, Samurai Warriors 2: Xtreme Legends (e o Empires também), Dynasty Warriors 5 e 5 Xtreme Legends), e continuei apaixonado pelo gênero, inclusive jogando outros jogos que usam da mecânica em outras plataformas. Maaas enfim, estamos aqui pra falar de Samurai Warriors e é dele que iremos falar.

Samurai Warriors 3 foi um jogo meio azarado. Ele surgiu da vontade dos produtores da Koei de testarem o Hardware do Wii, até aí tudo bem. Mas o problema é que APENAS o jogo base veio pro ocidente, as versões Xtreme Legends (Moushoden) e Empires ficaram apenas no Japão, sendo que o Xtreme Legends saiu para PS3 e PSP (com os nomes de Samurai Warriors 3 Z/Z Special) e o Empires saiu apenas para PS3, e eles traziam alguns personagens novos. Aí, a Koei resolve voltar as origens, voltando para consoles Playstation e comemorando os 10 anos do primeiro Samurai Warriors, o quarto episódio chegou ao PS3, PS4 e PS Vita.



O jogo, reconta, com leves toques de ficção (pelo menos em relação a Sengoku Basara, que é zoado) o enorme período da era dos Estados em Guerra (Sengoku Jidai), o período mais sangrento da história do Japão, que vai desde a Guerra de Ōnin (entre 1467 e 1477) até o Cerco de Osaka (entre novembro de 1614 e Junho de 1615), com o estabelecimento do Xogunato Tokogawa ocorrendo em 1603, 3 anos após a sangrenta batalha de Sekigahara.

Uma coisa na qual Samurai Warriors 4 mudou em relação aos seus antecessores, foi a forma em que a história foi contada. Ao invés de histórias individuais, dois tipos de história foram colocados:

Histórias Regionais - Contadas do ponto de vista de diversos clãs presentes em certos períodos da Era Sengoku (Mori, Takeda, Date, Uesugi, Sanada), nos quais estes clãs tentam unificar as regiões onde vivem, com exceção do Oda, que deseja unificar o Japão.

História da Unificação (Desbloqueada após terminar o Legend of Oda e o Legend of Takeda) - Conta a trajetória de Unificação iniciada por Hideyoshi Hashiba (que se tornou Hideyoshi Toyotomi) e que deu origem ao Xogunato Tokugawa, já sob o comando de Ieyasu Tokugawa (que a título de curiosidade, morreu 1 ano depois do fim do Cerco de Osaka).



Além do modo história, e das Batalhas Livres (que dependem de ser desbloqueadas no modo história), há o modo Chronicles (vindo do Spin-off Samurai Warriors Chronicles, de 3DS/Vita), no qual você cria um personagem que tem a missão de escrever as biografias dos grandes oficiais da era Sengoku, e você viaja pelo Japão conhecendo cada personagem histórico (além dos grandes, tem os generais genéricos que só servem pra dar um Achievement), e lutando contra ou ao lado deles.

Em determinados momentos desse modo, haverão eventos onde você tem um diálogo com determinado personagem, e assim você estabelece uma relação (que pode ser até romântica) com o personagem. Esses diálogos esporádicos possuem escolhas, que determinam como será a relação entre os personagens nas batalhas futuras, e quando sua barra de relação chegar em determinado ponto (4/5) você desbloqueia ele para ser seu personagem secundário (explicarei mais adiante), e quando essa barra encher completamente, você poderá usar a arma desse oficial em seu personagem.


Existem muitas outras pequenas minuncias no Modo Chronicles que eu poderia falar, mas o grosso modo dele é esse... E é muito viciante, principalmente quando você tem a chance de pegar as armas raras (que são apelonas).



A mecânica de Samurai Warriors 4 mudou levemente em relação aos jogos anteriores da franquia, ou mesmo a série Warriors num geral. Ainda temos o básico combo de Quadrado, Quadrado, Triângulo, mas os charge attacks do triângulo sumiram. A novidade é o Hyper Attack, no qual o personagem dá um dash atacando, perfeito pra derrubar dezenas de inimigos, e que pode desencadear mais combos, na sequência inversa (triângulo, triângulo, quadrado, por exemplo) e dar uma maior profundidade e variedade de combos, dentro do familiar conceito da série Warriors.

Como o jogo trocou o conceito (no modo história) de personagens para regiões, você terá a cada capítulo, uma determinada quantidade de personagens para se jogar, escolhendo sempre um primário e um secundário, que será controlado pela AI (ou por outro jogador no Co-op local ou online). No modo single player, com um toque no botão select, você pode trocar de um personagem para outro (inclusive esse botão causou alguns problemas quando fui jogar Dragon Quest Heroes, mas isso é história para outro dia.), que é muito útil em diversos casos. Apesar da IA do seu parceiro ser competente (em sua limitação), a produtora colocou a opção de você dar ordens simples ao seu parceiro, o que pode ser bem útil no modo chronicles, em determinadas missões.



Graficamente, ele tem seus pontos altos e baixos. As cenas em CG são belíssimas, e quando elas possuem ação, são muitíssimo bem coreografadas. Porém, quando temos as cenas com os modelos in-game, a coisa não é tão boa assim. Os modelos dos personagens são bons, e os modelos dos personagens criados por nós não ficam deslocados em relação aos oficiais famosos. Como acontece em cada jogo da franquia, alguns personagens sofreram alterações no seu visual. Os cenários podem soar repetitivos, se você passar muito tempo em um determinado local (no modo chronicles, por exemplo), mas eles não deixam muito a desejar, apesar de serem aquele padrão da franquia Warriors.

Sonoramente, segue o padrão Koei de qualidade de trilha sonora, com ótimas composições que ajudam a criar o clima, seja ele o empolgante de uma batalha, ou o triste da hora de uma determinada morte. Pra completar o pacote, tem a belíssima "Reverb", tocada pela banda Kuroyume, que norteia os créditos de alguns finais (como o do Legend of Land United) do jogo. O jogo foi o primeiro Samurai Warriors a vir pro ocidente com a dublagem apenas em japonês, e se por um lado, corremos o risco de ouvir coisas como Cow Cow (quem lembra?), por outro... Bem, deixa pra lá, porque eu não sinto falta da dublagem americana. Os fãs mais atentos podem ouvir algumas vozes conhecidas, como Ai Maeda (A voz da Mimi, em Digimon), Nobuyuki Hiyama (Joe Higashi, em King of Fighters, Link "Adulto" em Legend of Zelda), Hikaru Midorikawa (Heero Yuy em Gundam Wing), entre outras.

O único defeito de Samurai Warriors 4, como Warriors em si, é a falta das rotas que levam a finais alternativos (como em Dynasty Warriors 8 por exemplo), que seria uma boa tendo em vista que muitos personagens que você gosta acabam tendo um fim melancólico. No geral, é um ótimo jogo, que vale a pena ser pego.

Avaliação: 9,5/10

Abaixo: Vídeo de Gameplay, retirado do meu canal, e pra quem quiser, estou fazendo uma run de Samurai Warriors 4-II lá, além de outros gameplays de PS3