7 de mar de 2011

Uchuu Keiji Tamashii: The Space Sheriff Spirits (PlayStation 2)


O Gênero do Tokusatsu existe a quase 60 anos no Japão, e nos anos 60/70, diversas séries foram produzidas, Kamen Rider teve seu início lá, o gênero Sentai (que aqui no ocidente vemos adaptado como Power Rangers, aguarde um especial no meu blog) surgiu com Himitsu Sentai Goranger, tivemos também Jinzo Ningen Kikaider (que recentemente teve uma excelente série de animes/ovas), Inazuman, Spectreman, entre tantos outros. Nos anos 80, um novo tipo de herói surgiu. Com armadura de metal reluzente, espada laser e com uma história cativante, surgiram os metal heroes, em 1982 com Uchuu Keiji Gyaban (Conhecido aqui como Gaban, a tradução do nome é Policial do Espaço Gyaban), que rendeu duas sequências diretas, Sharivan e Shaider. E embora a única representação de jogo que tivéssemos deles nos consoles mais retro, fossem um estranho jogo de NES aonde até o Jiban era jogável e o Shaider também; e no péssimo VR Troopers, de Mega Drive, aonde Shaider também era jogável (na verdade a contra parte americana, mas relevem). Em 2006, a Namco resolveu homenagear os heróis de metal (Eles foram os primeiros Metal Hero, sub gênero do Tokusatsu que engloba Jiraya, Jiban, Solbrain, B-Fighter Kabuto, entre outros, de 1982 a 1996) lançando um jogo que lembra os antigos Beat'em up's, chamado Uchuu Keiji Damashii.

O jogo é dividido em dois arcos da Story Line, a primeira e principal disponível, segue os eventos de Uchuu Keiji Gyaban numa versão resumida, que conta a luta do policial espacial Gyaban contra a Maku e o terrível Don Hollar e a segunda, disponível após o termino da aventura de Gyaban, em Gyaban, Sharivan e Shaider se unem contra um inimigo em comum, que ameaça a todo o universo, baseada no Crossover especial de 1984.

O modo single player é simples, semelhante a beat'em up's no qual você surra os inimigos de uma área e tem um mestre. Só que não há uma área a se explorar, a ação se dá em cenários "fechados", como os da série. Há uma barra de power para se transformar, conforme você vai batendo em seus inimigos e depois, apertando os quatro botões frontais ao mesmo tempo, começa um evento quicktime para a transformação. Os comandos são simples, e há a possibilidade de se esquivar (é explicado num treino). Em alguns momentos na campanha de Gyaban, é possível controlar o Kojiro (aquele fotógrafo mala) e precisa fugir do inimigo ou proteger as crianças. E há um "estágio" extremamente irritante em que há um "duelo de comida" que é desnecessário. Transformado em Gyaban/Sharivan/Shaider, pode-se executar golpes com o triângulo e pressionando-o parado, invoca-se a espada do Policial do espaço.


A movimentação durante os golpes é intuitiva e os golpes se emendam uns nos outros, poupando movimentos. A dificuldade é de baixa a mediana, os únicos momentos realmente duros, são as lutas contra Don Hollar em sua forma final (é só uma cabeça), a luta contra o Uchuu Keiji Negro e a batalha final (que só é difícil pelo limite de tempo de 2 minutos). Para aumentar o tempo de vida útil do jogo, há um modo versus que se assemelha (de MUITO LONGE) ao de Urban Reign, beat'em up da Namco para o PS2, com possibilidade de lutas entre 4 jogadores e a chance de jogar com monstros.

Visualmente é mediano, durante as fases, os modelos dos heróis transformados e dos monstros são bonitos, especialmente os do shaider e do Vario Zector (vilão de visual semelhante aos Uchuu Keijis), e embora os modelos humanos de Gyaban e Sharivan estejam parecidos com Kenji Ohba e Hiroshi Watari, durante as cenas eles soam de maneira mecânica, não muito bonitos. O melhor ficou o do Shaider, que não se inspirou no ator que o interpretou nos anos 80. Os cenários, são fiéis aos seriados, mas destaco aqui o cenário das últimas batalhas da segunda campanha, que ficaram ótimos. Apesar disso, os cenários poderiam ter sido melhor feitos e melhor explorados, pelo menos os urbanos, os do mundo da alucinação/whatever ficaram bons do jeito que estão. A apresentação e efeitos de transformação, além das explosões, são bem feitas.

Sonoramente é bem bacana, pois se utiliza das BGM's comuns das séries, além dos temas cantados por Akira Kushida, as aberturas dos três Uchuu Keijis (Uchuu Keiji Sharivan, Uchuu Keiji Gyaban e Uchuu Keiji Shaider) estão em versão TV Size, além do tema de batalha de Gyaban, a Chase! Gyaban, também do Kushidão. Há também versões instrumentais da Hoshizora no Message (encerramento de Gyaban), Uchuu Keiji Sharivan e Uchuu Keiji Shaider, e um tema próprio do jogo, usado nos créditos da segunda campanha, cantado pela Seiyuu da vilã do jogo, que é ninguém menos que a eterna Machiko Soga. As vozes estão ótimas, a maioria dos atores retornou bem ao seu papel, e o "novato" Takuo Kawagura ficou muito mais convincente como Dai Sawamura que o próprio Hiroshi Tsuburaya (que deus o tenha). Embora apesar disso, haja falhas na sincronia, por culpa da má gravação do disco.


Finalizando, Uchuu Keiji Tamashii é um game que agrada mais pela nostalgia do que pela execução do jogo, embora seja uma experiência mais sólida que os kamen riders que estapeavam-se entre si. Recomendado apenas para fãs de tokusatsu, que lembraram algumas passagens e estapearão os inimigos por um bom tempo.


Um comentário:

  1. Que legal, cara! Arrependo-me mais ainda por não ter comprado esse jogo quando eu tive a oportunidade!
    E por favor, me diga o nome desse jogo de NES que você citou, onde dá para jogar com o Jiban! Eu até hoje pensava que não existia nenhum jogo com esse cara! Sou fã desse tira de lata!

    Adoro beat 'em ups, apesar das críticas quanto a esse tipo de jogo nos dias de hoje. Uchū Keiji Tamashii provavelmente iria me agradar bastante, não só por ser desse gênero, mas por também ter como tema os Tokusatsu que eu tanto assistia na minha infância.
    Eu até poderia pega uma versão Jack Sparrow como você pegou, mas meu PS2 é travado. Estou até pensando em destravar agora...

    ResponderExcluir