13 de set de 2015

Review: Dragon Quest Heroes: The World Tree's Woe and the Blight Below



O meu primeiro contato com Dragon Quest, assim como a maioria dos velhacos que escrevem neste site, foi com o anime Fly, o Pequeno Guerreiro (Dragon Quest: Dai no Daibouken). Nos jogos, meu primeiro contato, foi com o fantástico (e dificílimo) Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King. Mas só fui me tornar fã da série MESMO após jogar o incrível (embora raso em alguns aspectos) Dragon Quest IX: Sentinels of the Starry Skies. 

Porém, se tem uma série, e gênero que eu sou fã absurdo, é Dynasty Warriors (E suas sub séries também, como Samurai Warriors, Warriors Orochi, One Piece Pirate Warriors, Sua Mãe Warriors e Warriors: Os Selvagens da Noite.) E quando a Square Enix anunciou que trabalharia com o Omega Force para um mix entre Dragon Quest e Dynasty Warriors (A exemplo do bem sucedido Hyrule Warriors), eu pirei. E em fevereiro deste ano, Dragon Quest Heroes: Yami Ryū to Sekaiju no Shiro foi lançado no Japão para PS3 e PS4. Será que ele vale a pena o investimento?


No reino de Elsaize (Arba na versão americana), monstros e pessoas convivem harmoniosamente, até que o nefasto Helmut se utiliza de magia para colocar os monstros contra as pessoas. Cabe aos aprendizes Act (Luceus na versão americana) e Mar (Aurora na versão americana), juntamente com o rei Dirk (Doric na versão americana) deter os planos do vilão. Não, não é uma história complicada ou complexa, mas sim uma história digna da franquia Dragon Quest (que sempre foi assim). 

O gameplay de Dragon Quest Heroes é bastante semelhante ao da série Dynasty Warriors, porém, como todo derivado de Warriors, ele possui suas particularidades. Ainda temos aqueles dois ataques, fraco e forte. Porém, foi instituído um sistema de magias. 


Os personagens, além da barra de HP, possuem uma barra de MP, e conforme progridem no jogo, podem desbloquear algumas magias, magias essas que custam MP e são utilizadas com o comando R1 + Botão da magia (Quadrado, triângulo, círculo ou X) e dependendo do personagem, possuem diversos efeitos no jogo, de ataque, cura (no caso da Jessica), ou transporte (no caso de Act/Mar), caso os pontos de transporte do mapa estejam habilitados.

Além das barras de vida e magia, existe a barra de Tension, que é enchida a cada golpe desferido (ou pode ser enchida, tanto usando o botão círculo do PS3, quanto com certos ítens que podem ser encontrados no cenário). Após a barra de Tension estar completamente cheia, apertando o O novamente, o personagem irá entrar no modo Super High Tension, o qual aumentará a força dos golpes, permitirá o uso do pulo duplo, e quando a barra for esvaziada (ou o jogador apertar novamente o O) o personagem irá desferir um golpe fulminante que ajuda a limpar a área de inimigos, e em muitos casos, causa um grande dano a inimigos maiores ou mestres de área.


Apesar do jogo ser baseado em Dynasty Warriors, ele carrega todo o jeito e estrutura de um RPG, com níveis de personagem, bosses, side-quests e organização de grupo. Usando a nave Batoshie como base, o jogador tem acesso a loja de equipamentos, de itens de cura (através da Igreja, tradição de Dragon Quest), de aprimoramentos e o bar onde você pode mudar a equipe que estará nos estágios do jogo. A equipe principal é composta de Act/Mar (o personagem principal é escolhido no início do jogo), mais três outros personagens. Durante as missões, os personagens podem ser trocados com o botão L2 (isso me confundiu bastante, porque como estou acostumado com o sistema de troca do Samurai Warriors 4, eu apertava o Select XP), o que ajuda bastante caso você tenha um grupo variado.

Existem três tipos básicos de missão: As lineares, que consistem basicamente de ir do ponto A até o ponto B, as batalhas contra chefes, que em alguns casos não consistem só de ir batendo no mestre até ele cair, mas sim de ir a pontos específicos e usar armas como Balistas pra causar grandes danos (ou evitar que o boss se recupere) e as mais irritantes missões já feitas na história da série Dynasty Warriors: As missões de Tower Defense, nas quais você deve, ou escoltar determinado personagem ou defender determinado ponto, contra hordas de inimigos vindo de diversos lados.


A princípio, essas missões começam simples, mas em determinados pontos do jogo, você vai precisar de muita paciência (e muitos Game Overs) pra passar de certas missões, já que muitas vezes inimigos fortíssimos vem dos dois lados e causam dano massivo ao objeto a ser defendido. E o fato do jogo não ter multiplayer e o jogo não te proporcionar dar Ordens aos seus companheiros (como em Samurai Warriors 4) dificulta ainda mais o seu trabalho.

Porém, nem tudo são lamentos, a partir de determinados momentos do jogo, você adquire Monster Coins (Após vencer certos monstros), que permite que você os invoque. Dependendo do monstro, ele irá dar um boost em seus atributos, dar um único ataque ou permanecer ali para atacar os inimigos que se aproximam. E com as Monster Coins de monstros de grande porte, temos uma mão na roda para defender determinados pontos. Isso dá um senso de estratégia e desafio ao jogo. 

Aos que se preocupam com as toneladas de DLC's que assolam a indústria, não se preocupe pois em Dragon Quest Heroes, a maioria delas vem com os patches de atualização do jogo (missões extras + Psaro, de Dragon Quest IV) completamente grátis, com exceção das roupas de Dragon Quest III,(que vem em um código no manual da versão japonesa) e não podem ser adquiridas na PSN, a não ser que você compre a versão digital (na PSN Japonesa). Porém esse pormenor só é válido para a versão japonesa do jogo, já que todo o conteúdo baixável virá disponível na versão Ocidental de PS4. 

Primeiramente, falemos das diferenças básicas entre as versões de PS3 e PS4 do jogo. A versão de PS4 roda a 60 frames por segundo (a versão de PS3 roda a 30), possui resolução maior (1920x1080 contra 1280x720 do PS3), mais inimigos simultâneos no cenário e alguns efeitos técnicos superiores a versão de PS3. De resto, ambas as versões são lindas, os cenários são coloridos e variados, e possivelmente mais bonitos que muito cenário de Dynasty/Samurai Warriors. Os personagens possuem os traços feitos por Akira Toriyama, então eles soarão familiares a qualquer pessoa que já teve contato com Dragon Ball em algum ponto de sua vida. As cutscenes do jogo possuem uma direção muito boa, e as CG's são maravilhosas. E para quem jogou diversos Dragon Quests, ver diversos personagens (maioria mulheres) da série, é como reencontrar velhos amigos. 

A dublagem japonesa do jogo (esse é o primeiro Dragon Quest a ter os protagonistas do jogo dublados) teve um cuidado em todos os momentos. Resumindo, a idéia da Square-Enix foi chamar atores e dubladores famosos, que são fãs da série. E assim tivemos um elenco que conta com Tori Matsuzaka (Takeru Shiba/Shinken Red, de Shinkenger) como Act, Mirei Kiritani (Nino, do live action de Arakawa Under the Bridge), Banjo Ginga (Liquid Snake/Major Zero/Liquid Ocelot na série Metal Gear Solid) como o Rei Dirk, Mikako Komatsu (Kotori Mizuki de Yu-Gi-Oh! Zexal) como Julietta, Rie Kugimiya (Alphonse Elric em FullMetal Alchemist) como Homiron, Shoko Nakagawa (Saori Kido/Athena em CDZ Omega) como Alena, Hikaru Midorikawa (Heero Yuy em Gundam Wing), como Kiryl, Miyuki Sawashiro (Kurapika na versão de 2011 de Hunter x Hunter) como Maya, Marina Inoue (Yoko em Tengen Toppa Guren Lagann), como Bianca, Kana Hanazawa (Kuroi Mato/Black Rock Shooter em Black Rock Shooter) como Nera, Hiroshi Kamiya (Levi em Attack on Titan) como Terry, Ayana Taketatsu (Azusa Nakano em K-On!) como Jessica, Fumihiko Tachiki (Don Krieg e Akainu em One Piece) como Yangus, Daisuki Ono (Jotaro em JoJo's Bizarre Adventure: Stardust Crusaders) como Psaro e Ainosuke Kataoka (Kougane/Kamen Rider Mars no filme de Kamen Rider Gaim), como o vilão Helmut. Todos desempenham seus papéis com maestria, transmitindo ao jogador, a personalidade dos heróis (e vilão) do jogo. 

Na versão americana, dando continuidade a algo feito na dublagem de Dragon Quest VIII, todos os personagens são feitos por dubladores ingleses, inclusive o dublador do Yangus (Ricky Grover) reprisa seu papel. 

A trilha sonora, novamente conduzida pelo mestre Koichi Sugiyama, mistura nostalgia (pra fãs de Dragon Quest) e novidade. Ela não soa como um mix de Dynasty Warriors com a série em questão (Como em Hyrule Warriors), mas soa como uma autêntica trilha de DQ. Os temas do jogo são reconhecíveis, e alguns deles são reusados da era do NES (como o jingle de salvamento do progresso).

Finalizando, Dragon Quest Heroes é um excelente jogo, e recomendo a quem quer uma experiência de ação baseada em Dragon Quest, mas a questão da compra é algo muito mais complicado, já que ao menos a versão de Playstation 3 depende de importação por parte do jogador. Já a versão de PS4, estará disponível no dia 13 de Outubro, tanto em formato físico quanto digital.  Esta análise foi feita com base na versão japonesa do jogo, para Playstation 3. Os dados sobre a versão de PS4 foram feitos com base em gameplays da versão japonesa do jogo e trailers da versão ocidental.

Avaliação: 9,5/10

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